Ceratocone

A córnea é a principal lente de foco do olho. A luz viaja pela córnea, passa pelo cristalino e chega à retina e depois ao cérebro para a formação das imagens. A superfície corneana normal é regular e asférica. Os raios de luz passam por ela e se dirigem para a retina para projetar uma imagem nítida e não distorcida.

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O que é Ceratocone?

O Ceratocone (do grego Keratokonos; kerato: córnea, konos: cone) é uma desordem degenerativa da córnea na qual alterações estruturais causam afinamento e um formato cônico com aumento da curvatura corneana. Estima-se que sua prevalência seja entre 1 para 500 a 1 para 2000 pessoas.

O Ceratocone geralmente ocorre bilateralmente e tipicamente começa na puberdade progredindo até os 30- 35 anos, apesar de casos descritos em idades mais precoces como 6-8 anos. Entre essa faixa etária a doença a qualquer momento pode progredir ou ficar estável, e, não existe nenhuma maneira de prever se a progressão irá ocorrer e o quanto rápida ela será. Geralmente pacientes mais jovens e com doença mais avançada estão mais propensos à progressão e mais sujeitos à intervenção cirúrgica.

Quais os fatores de risco?

Estão envolvidos fatores genéticos e ambientais. Apesar disso, apenas 13 -15% dos pacientes tem história familiar positiva para Ceratocone. O principal fator ambiental é a alergia ocular e o ato de coçar os olhos. O Ceratocone também é mais comum em portadores de Síndrome de Down, Síndrome de Marfan e Prolapso da Válvula Mitral e outras desordens do tecido conectivo.

Quais os sintomas?

Geralmente os pacientes com Ceratocone apresentam um aumento frequente do grau de seus óculos, principalmente miopia e astigmatismo, associado a uma diminuição da qualidade da visão com os mesmos.

Como é feito o diagnóstico?

Deve se suspeitar de Ceratocone em toda criança ou adolescente que tem aumento do grau de seus óculos, principalmente astigmatismo, maior do que o esperado; e uma queixa de baixa de visão com os mesmos, associados à fotofobia (intolerância á luz); principalmente se tiver o hábito de coçar os olhos. O diagnóstico é confirmado por exames que avaliam a superfície anterior da córnea (Topografia de Córnea) e, atualmente aparelhos mais modernos que avaliam também a curvatura posterior da córnea e paquimetria. (Tomografia de Córnea).

O Ceratocone leva à cegueira?

Apesar de alguns pacientes com Ceratocone serem legalmente cegos, ela é totalmente reversível com as diversas opções terapêuticas que temos hoje em dia.

Como é o tratamento do Ceratocone?

Existem duas linhas de tratamento do Ceratocone: a reabilitação visual e interrupção da progressão. Em relação à Reabilitação visual, nos casos iniciais o paciente pode até ter uma boa visão com óculos, mas a maioria necessita de lentes de contato gás permeáveis para obter uma boa visão.

Em relação às lentes de contato, hoje em dia existe uma grande diversidade de modelos, materiais, sendo que recentemente chegou ao Brasil as lentes esclerais, que são uma opção para os casos mais difíceis. Para os pacientes que não podem ou não conseguem adaptar com lente de contato, as opções são o anel intra-estromal nos casos leves e moderados e o Transplante de Córnea nos casos mais avançados.

Para a interrupção da progressão, ou o tratamento propriamente dito do Ceratocone, é indicado o Cross-linking, que consiste na aplicação combinada de luz ultravioleta e riboflavina que tem por objetivo fortalecer as ligações covalentes entre as fibras de colágeno presente na córnea e enrijecendo a mesma.

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O que há de novo no tratamento cirúrgico?

O tratamento cirúrgico do Ceratocone está cada vez mais previsível; eficaz e com menor índice de complicações. O implante de anel intra-estromal pode ser feito com auxílio de laser de femtosegundo, assim como os transplantes, que com o desenvolvimento das técnicas lamelares, principalmente o transplante lamelar anterior profundo pela técnica de “big bubble” descrito por Anwar e Teichmann em 2002, onde é poupada uma parte da córnea não comprometida pela doença (endotélio) diminuindo muito a chance de rejeição.

Além disso, existem procedimentos que podem ser combinados: implante de anel com cross-linking, ceratectomia fotorefrativa (PRK) topoguiada, anel e lente fácica; dependendo de cada caso, fazendo com que atualmente o tratamento seja cada vez mais personalizado e individualizado.

 

Dr. Rodrigo Paolini – CRM-GO: 11462

Oftalmologista
Graduação em Medicina pela: UFPA
Residência em Oftalmologia: Fundação Banco de Olhos
Especialização em oftalmologia pela Fundação Banco de Olhos.
Subespecialização em Córnea , Doenças Externas e Cirurgia Refrativa pela Banco de Olhos / Hospital Oftalmológico de Sorocaba.
Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Membro do Setor de Córnea e Catarata da Fundação Banco de Olhos / GO

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